A minha vida de fêmea - Cap. I

  • Temas: prisão, humilhação, sexo não consentido, gay, bissexual, lésbica
  • Publicado em: 18/03/26
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  • Autoria: jcb0909
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Private Muse

CAPÍTULO I


Ouviu-se o barulho de uma porta a bater com estrondo.

Isto é o princípio de uma nova vida - pensei - vou achar que é um pesadelo, mas amanhã isto termina...

O meu nome é Mário, fui condenado a uma pena de dois anos e sete meses e acabei de entrar no estabelecimento prisional.

Entrei numa sala com três guardas - Sousa, Pires e Ramalho, segundo as placas que ostentavam nas fardas.

O guarda Ramalho tinha umas algemas na mão, que baloiçava lentamente de um lado para o outro.

Na sala havia apenas uma mesa, uma cadeira e um pequeno tapete no chão. Em cima da mesa estava uma caixa vazia.

Ao fundo havia outra porta, através da qual era percetível a presença de muitas pessoas, provavelmente outros reclusos, atendendo ao ruído que se fazia sentir.

Despe-te e põe tudo nessa caixa - ordenou o guarda Sousa.

Surpreendido, olhei em volta novamente à procura de um vestíbulo, que efetivamente não existia.

- Aqui!?

- Claro que não. Vais ao Ritz, despes-te e depois voltas. - troçou o guarda Sousa.

- Mas aqui não há privacidade. Este país tem leis. Tenho direitos!

Os guardas sorriram.

- As leis e direitos ficaram do lado de fora destas paredes à espera do dia em que saíres. - disse o guarda Pires - Agora despe-te.

Sou um homem educado, bem parecido! Como ousam falar assim comigo? Tenho 1,75m e 70 Kg de peso, cabelo curto com corte impecável, castanho claro e olhos esverdeados, barba bem aparada. Não sou, nem aparento ser um criminoso violento. Deviam tratar-me com respeito!

E agora mandam-me despir numa sala cheia de pessoas? Sem um pingo de privacidade?

- Não tenho o dia todo, pá! - bradou o guarda Sousa com sinais de irritação.

Contrariado e constrangido, obedeci.

Comecei a desabotoar pachorrentamente a camisa. Depois desapertei os atacadores das sapatilhas e descalcei-as.

Diz o guarda PIres, com ar gozão:

- Olha-me este... Parece que está a fazer striptease… Ao menos se fosse uma gaja…

Os outros guardas riram-se.

Humilhado, continuei a despir-me. Tirei a camisa e comecei a desapertar lentamente o cinto.

- Nunca mais chega a hora de pôr uma notinha no rego! - gracejou novamente o guarda Pires.

Risada geral novamente.

Finalmente tirei a t-shirt que ainda tinha vestida e as calças. Coloquei tudo na caixa.

- Então e as meias, pá? - Pergunta o guarda Sousa.

- Mas não tenho aqui nada para calçar!

- Estás com medo de sujar os pezinhos delicados? Despacha-te, pá!

Tirei as meias e coloquei-as na caixa.

- Então não falta mais nada? - perguntou o guarda Pires a sorrir.

Mas ele quer que eu fique completamente nu!? Estão parvos ou quê? Comecei a ficar assustado.

- Mas não tenho aqui mais nada para vestir.

- E depois? Estás com medo de mostrar a pilinha? - pergunta o guarda Pires.

Relutante, tirei as cuecas e coloquei-as na caixa.

- Finalmente! - exclamou o guarda Sousa.

Nunca me tinha dado conta da importância de ter roupa. Sem ela ficamos à mercê dos elementos, sem qualquer tipo de proteção. As sensações de desconforto e fragilidade eram enormes, deixando-me em grande stress.

De repente, o guarda Ramalho prende uma das argolas das algemas no meu pulso direito e puxa-o para trás das minhas costas. De seguida, puxa o outro braço para trás e prende a outra argola.

Ele fez aquilo com uma destreza tal que me deixou completamente sem reação.

O desconforto que sentia quando estava despido era incomparavelmente menor que agora, manietado, em que ficava ainda mais exposto.

Percebi neste segundo a diferença entre estar despido e estar nu.

Passados uns segundos, ainda a tentar recompor-me, lá consegui perguntar:

- Porque estão a algemar-me?

- Anda. Vamos a uma passagem de modelos. - disse o guarda Pires à medida que me segurava um braço, enquanto o Sousa me segurava o outro.

Puxaram-me vigorosamente na direção da porta ao fundo da sala, para onde se encaminhava já o guarda Ramalho.

Ainda tentei resistir à marcha, mas foi-me completamente impossível perante a força combinada dos dois.

O guarda Ramalho abriu a porta. O som que se percebia tornou-se quase insuportável.

Estava a ficar apavorado. O que é que me esperava do lado de lá daquela maldita porta?

- O que é que estão a fazer? Deixem-me, deixem-me… - suplicava eu, enquanto tentava libertar-me, perante a indiferença daqueles três bisontes.

À medida que me aproximava podia observar um corredor, com grades de ambos os lados. Pareciam celas cheias de reclusos a fazer um barulho infernal.

Tentei mais uma vez resistir, mas os guardas Pires e Sousa praticamente me arrastavam.

- Deixem-me, deixem-me, vou queixar-me de vocês. - dizia eu, apavorado.

Indiferentes, levaram-me para a nova ala da prisão.

Começava num corredor longo com celas de ambos os lados cheias de reclusos.

O barulho era tanto que era praticamente imperceptível o que diziam, mas estavam obviamente ali para me observar e dizer todo o tipo de impropérios.

Tentava libertar-me, cada vez com mais força, mas em vão.

O Pires e o Sousa exibiam-me a todos quantos ali estavam, perante a minha aflição.

Aqueles seres desprezíveis estavam a humilhar-me sem qualquer tipo de contemplação.

- Marcamos encontro para logo à noite - disse um recluso mal encarado.

- Nem penses. - retorquiu outro - Aquele rabinho é meu.

- Olha que boca tão linda. Foi feita para saborear o meu gigantão - disse outro.

Punham os braços para fora como se me quisessem agarrar, mas felizmente os guardas conduziam-me pelo meio do corredor, onde não me conseguiam tocar.

Aqueles tipos olhavam-me com aqueles olhos esbugalhados de quem está desesperado para que chegue a hora da sobremesa.

Naquele momento eu estava completamente apavorado. Vieram-me as lágrimas aos olhos.

- Escusas de estar para aí a chorar, pá! Este vai ser o teu novo lar. - disse o guarda Pires, à medida que ele e o guarda Sousa me obrigavam a avançar.

- Essas nalguinhas estão mesmo a chamar por mim. - grunhiam de uma cela.

- Não, não. Ele está mas é com vontade de me chupar até ao tutano - berravam de outra.

A certa altura deixei de prestar atenção ao que diziam, tal era o estado de desespero em que me encontrava, deixando-me simplesmente levar pelos meus carrascos.

Estava a ser devorado completamente por todos aqueles reclusos. A certa altura não sei se sentia medo, raiva, vergonha, humilhação, ou talvez sentisse tudo isso ao mesmo tempo.

O corredor devia ter uns 50 metros, mas o seu percurso pareceu-me demorar horas.

O guarda Ramalho, que já se encontrava no final do corredor, abriu outra porta, por onde me obrigaram a entrar.

Depois fechou a porta.

De repente instalou-se o silêncio, que me deixou um pouco mais calmo.

Estava agora noutra galeria, mais pequena, com três celas de cada lado.

Quatro celas tinham dois reclusos cada; nas duas restantes, as do fundo, apenas um.

Todos me observavam, em silêncio.

Os guardas levaram-me para o fundo do corredor, onde estavam as celas com apenas um recluso, e puseram-me de frente para o que estava à minha esquerda.

Ele mirou-me fixamente e eu, constrangido, baixei os olhos.

Lentamente foi baixando o olhar, registando cada milímetro do meu corpo, com ar de satisfação.

Depois, com a mesma calma, foi subindo o olhar, olhando-me novamente nos olhos. Baixei o olhar novamente.

- Deixem-me. - supliquei praticamente a chorar, enquanto fiz um ténue movimento no sentido de me libertar, mesmo sabendo que era perfeitamente inútil.

O recluso fez sinal aos guardas para me virarem, a que anuíram prontamente.

Durante uns segundos parece não ter acontecido nada, embora presumisse que me estivesse novamente a mirar de alto a baixo.

De repente os guardas puxaram-me os braços para a frente e para baixo ao mesmo tempo, obrigando-me a ficar dobrado.

- Deixem-me - gritei novamente, ao mesmo tempo que tentava endireitar-me. Em vão.

O guarda Ramalho aproximou-se por trás e deu-me umas pancadas laterais nos pés, obrigando-me a afastar as pernas.

- Deixem-me, deixem-me. - suplicava.

Depois senti as mãos dele a afastarem-me as nádegas, expondo o meu ânus ao recluso.

Tentei libertar-me, movendo-me em todas as direções possíveis e imaginárias, mas não consegui furtar-me àquela posição.

Pareceu-me ter ficado horas naquela posição, a mostrar ao mundo a parte mais reservada do meu corpo. Da minha alma.

Sentia um misto de medo, revolta e humilhação, que nunca mais chegava ao fim.

Finalmente o guarda Ramalho soltou-me, e os outros puxaram-me finalmente para cima, obrigando-me a encarar o recluso que se encontrava na cela da direita.

Este fez um sinal com a mão aos guardas, como que a dizer que não era preciso repetir aquela cena toda.

O guarda Ramalho abriu nova porta ao fundo do corredor, para onde me levaram.

Por esta altura já só pensava quando é que tudo isto iria acabar.

- Que cena foi esta ao fim? - pensei.

Olhando para trás, apercebi-me que não tinha prestado atenção à fisionomia daqueles últimos reclusos. Não sei se eram altos ou baixos, gordos ou magros, com bom ou mau aspecto...

Estava eu nestes pensamentos quando abandonámos aquele corredor.

Novo corredor, com portas de ambos os lados.

Felizmente já não se viam reclusos. Entrámos logo na primeira porta à direita.

- Toma. - disse o guarda Pires enquanto me entregava uma caixa, ao mesmo tempo que o guarda Ramalho me retirava as algemas.

Abri-a, e ao ver que continha roupas comecei imediatamente a vestir-me, com a satisfação de quem encontra água no deserto, mas fui prontamente impedido pelo guarda Pires.

- Tem calma. - disse.

Resolvi inspecionar a caixa, que continha champô, pasta e escova de dentes, sabonete, e, para minha surpresa, uma caixa de preservativos e uma bisnaga de vaselina.

- Mas para que é isto!? - Perguntei incrédulo.

O guarda Ramalho chegou-se à frente e ordenou-me que me sentasse.

- Então é assim - disse. Era a primeira vez que lhe ouvia a voz.

- Esta prisão tem várias alas. E como pudeste ver tem muitos reclusos, não sei se estás a perceber...

Eu escutava-o o mais atentamente possível, não obstante o estado de terror em que me encontrava.

- O corredor maior por onde passaste é a ala 13. Uma das piores, em termos de reclusos. No outro corredor, é a ala VIP, onde estão personalidades com posses, que lhes permitem ter uma estada mais agradável aqui, não sei se estás a perceber...

E prosseguiu:

- Normalmente irias para a ala 13 mas os dois reclusos que estavam sozinhos mostraram interesse em ti, não sei se estás a perceber…

- Agora vais ter de escolher: vais para a ala 13 ou para a ala VIP.

Aquilo era muita informação ao mesmo tempo e no estado em que estava era-me difícil discernir o que quer que fosse.

A esforço, balbuciei:

- Bem, quer dizer, os preservativos são para os VIPs? Quer dizer, eles querem sexo comigo? Eu não sou homossexual!

O guarda Ramalho esclarece ainda:

- É essa a condição para ficares na ala VIP. Quem para lá vai obedece e mais nada, porque senão a coisa corre mal para ele. Ah, mais uma coisa: Só há duas formas de sair da ala VIP: Com o fim da pena ou num caixão, não sei se estás a perceber...

Eu estava incrédulo. Não podia acreditar no que estava a ouvir. Tentava ripostar, ou apenas dizer qualquer coisa, mas as palavras não me saiam.

- Ah, outra coisa. É claro que a vida na ala VIP tem privilégios que as outras alas não têm.

- Mas, mas.. - Lá consegui eu dizer qualquer coisa.

- Vê a coisa desta forma: - interrompeu o guarda Ramalho - Tu és bonitinho e muito tenrinho para a malta daqui, por isso vais ser um objeto sexual para eles. Um brinquedo novo. A questão é: na ala 13 és usado pela ala inteira e podes tentar defender-te se achares que consegues. Na ala VIP és apenas de um, mas és obediente e cooperante. A ida para a ala VIP é voluntária, não sei se estás a perceber...

- Eu quero ligar a um advogado! Isto não vai ficar assim - gritei.

Com ar entediado o guarda Ramalho disse:

- O telefone ficou do lado de fora da prisão, junto com os teus direitos. Tens cinco minutos para pensar. Se não disseres nada vais para a ala 13.

- Mas na ala VIP há lá dois gajos, não é só um. - disse eu.

- Ah, pois, esqueci-me. Escolhes um ao teu gosto, não sei se estás a perceber…

E agora, de repente, sou confrontado entre escolher a morte e a peste.

Não estou preparado para isto!

Quer dizer, como é que posso fazer sexo, voluntariamente, com outro homem? Não sou homosexual.

Por outro lado, aqueles gajos nojentos do primeiro corredor deitam-me a mão e não me consigo defender.

O resultado final acaba por ser o mesmo, embora o facto de na ala VIP me ter de submeter voluntariamente à luxúria de outro homem equivalha a que lhe entregue a minha alma também. Não sei se estou preparado para isso.

E na ala 13, chegar espancado ao fim do dia? Estarei preparado?

Só agora percebi. Na ala VIP, os outros quatro tinham um homem, quer dizer, um objecto sexual.

Os dois últimos não. Porquê? Serão violentos?

- Porque é que os dois gajos da ala VIP estão sozinhos? - perguntei.

- Como te disse - responde o guarda Ramalho - dali só se sai no fim da pena ou num caixão.

Aquela resposta deixara-me na mesma. Como vou escolher? Eu não quero nenhuma das alas!

Estava novamente em pânico e não conseguia pensar com clareza. Em boa verdade, eu não conseguia pensar de todo.

Tanto achava melhor ir para a ala 13, como para a ala VIP.

E se não disser nada? Assim não tenho de escolher. Mas vou para a ala 13.

Estava eu com estes pensamentos em círculos quando fui interrompido.

- Está na hora. - disse o guarda Ramalho - escolhe.

- VIP. - Respondi em surdina.

- Tens uma hora para tomar banho e ficares apresentável. - disse o guarda Ramalho.

Os guardas saíram, deixando-me sozinho.

Sentei-me no chão a um canto e fiquei ali a pensar nem sei em quê.

Estava ainda muito nervoso e ofegante. Às vezes chorava. Estive naquilo uma meia hora até que consegui acalmar-me um pouco.

Fui para baixo do chuveiro e deixei-me ficar enquanto a água quente escorria pelo meu corpo.

- Então, pá? - bradou o guarda Pires - está na hora. Despacha-te.

Mais conformado saí do chuveiro e vesti-me.


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