Dívida De Prazer
- Temas: dívida, proposta, sedução, tensão, prazer
- Publicado em: 20/04/26
- Leituras: 2747
- Autoria: ardens
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Até onde você iria para manter aquilo que tem de mais valioso? Já fazia tempo que Michel não tinha uma boa noite de sono. Durante a madrugada, acordou pela segunda vez quando decidiu tomar um copo d'água para refletir. Abriu o aplicativo do banco no celular e viu novamente o banco comer quase metade do seu salário.
Enquanto via sua dívida aumentar, ouviu a voz suave de sua esposa Alice chamando:
— Não vem deitar, amor?
Michel olhou pra ela, uma loira linda recém acordada e preocupada ali sem saber o que estava acontecendo.
— Já vou, meu amor! Pode voltar pra cama que logo eu vou também. — respondeu ele.
Michel permaneceu mais alguns minutos na penumbra de sua cozinha, já cogitando uma economia. Estava devastado pelo fato de ser um engenheiro quebrado. As dívidas dele só aumentavam e Michel não sabia mais como reverter a situação. Pra piorar, ele tem escondido as dívidas de sua esposa.
Michel e Alice são casados há dez anos. Conheceram ainda no ensino médio e não demorou muito para o namoro começar. Casaram assim que ambos completaram a maioridade. Michel, um bonito rapaz loiro, alto, cheio de carisma. Magro e apaixonado por futebol, sempre se cuidou. Até porque casou com a vaidosa Alice, uma loira de parar o trânsito. Dona de atributos dignos de virar cabeças nas ruas por onde passa. Peitos grandes, bunda farta, generosa em um corpo que alinhava a beleza de quem a preza. Alice sempre cuidou muito da aparência, zelando por perfumes, maquiagem e roupas caras. Michel formou-se como engenheiro e trabalhava em uma importante empresa da cidade.
Porém, tudo começou a desmoronar quando ele misturou as contas da casa com a pessoal. Trocou o carro popular por um melhor e reformou a casa do condomínio onde mora. Além disso, Alice que sempre confiou plenamente no marido, seguia com suas compras mensais no shopping. Em um ano, Michel viu os números vermelhos aumentar dentro de uma esfera negativa. Orgulhoso, sempre tentou resolver sozinho.
Sem o consentimento da esposa, Michel solicitou empréstimos para cobrir contas que fizeram com que a bola de neve só aumentasse.
Michel voltou pra cama naquela noite pensando numa solução. Quando acordou pela manhã, pegou o celular para abrir nova notificação do banco. Alice que estava passando o café, viu a cara de preocupação do marido e questionou:
— O que foi, amor? O que houve?
Michel desconversou:
— Nada não, minha princesa! Só uma demanda do trabalho.
Os dois sentaram-se à mesa para tomar café. Alice deslizava o dedo pelo site de compras enquanto Michel recebia mensagens cobrando seus bens materiais. Os aplicativos do carro e a casa financiados eram frequentes nas mensagens.
Alice foi tomar banho enquanto Michel saiu para o trabalho. Aquele dia foi angustiante na vida dele. Quando estava voltando para casa, Michel teve uma ideia. Convidar um de seus melhores amigos, Henrique, para assistir um jogo e beber cerveja. O alvo do convite, claro, era a riqueza que segue seu melhor amigo desde a infância, quando se conheceram.
Henrique e Michel moravam no mesmo bairro e estudaram juntos na mesma escola. Eram inseparáveis. Estudaram na mesma escola do ensino médio onde conheceram Alice. Atualmente, estão com vinte e oito anos.
Henrique era obcecado pela adrenalina. Além de apreciar o mundo das corridas, também gostava muito de carros. Desde sempre, Henrique olhava pra Alice com desejo. Ainda mais por ser uma mulher proibida pra ele, já que era a namorada do melhor amigo. Depois que Michel e Alice casaram, Henrique criou um aplicativo de entregas e vendeu por um preço muito alto. Usou parte do dinheiro para abrir sua própria empresa e hoje vive uma vida luxuosa.
Michel sabia da vida que Henrique levava. Eles mantiveram contato após o casamento. De tempos em tempos, marcavam de assistir jogos na casa um do outro ou até mesmo no estádio do time que torciam.
Como Michel era muito orgulhoso, ele manteve em silêncio sobre o aumento de sua dívida. Entretanto, mandou mensagem para Henrique convidando-o para assistir uma partida.
Michel já tinha tudo planejado: Iria aproveitar o momento certo para conversar com ele sobre uma ajuda financeira. Ele era orgulhoso, mas precisava tomar uma atitude para não perder seus bens. Alice dependia 100% de Michel, o que aumentava a gravidade da situação. Enquanto Michel trabalhava, Alice passava o dia arrumando e ajeitando a casa. Michel preferia desta forma e Alice concordava.
Michel andava nervoso de um lado para o outro quando viu sua esposa questionar:
— O que tá acontecendo, amor?
Ele seguia andando até olhar para ela e responder:
— Tô ansioso com o jogo, princesa. Fica tranquila!
Já fazia alguns dias que Alice estranhava o comportamento de Michel. Ele por sua vez, escondia tudo que conseguia dela. As cartas dos bancos, os e-mails, notificações e tudo o que envolvia a vida financeira do engenheiro. Ele cuidava da administração da casa completamente. Como Alice vivia confortável, não havia motivos para mudar a forma.
O ronco do carro esportivo anunciava a chegada de Henrique. Quando Alice percebeu, logo olhou com uma expressão de seriedade para Michel:
— Amor, tu chamou o Henrique pra vir aqui em casa e não me avisou?
Michel esqueceu completamente tamanho o seu nervosismo.
— Me perdoa, amor! Eu esqueci mesmo. Tô atucanado aqui e não lembrei.
Alice seguia olhando para o marido sem entender tantas mudanças no comportamento.
— Tudo bem, amor. Mas sabe que prefiro ser avisada. Principalmente quando é o Henrique que vem aqui.
Michel concordou com a esposa e atendeu o interfone liberando o acesso de seu amigo. Henrique chegou inundando a casa com seu perfume amadeirado. Abraçou Michel ao entrar na casa e Alice estendeu a mão para ele como sempre fazia desde que casou. Ela evitava cumprimentos com beijo no rosto em outros homens.
Henrique e Michel foram para o enorme sofá na sala para assistir ao jogo. Durante a partida, Alice ficava na cozinha mexendo no celular. A sala era grande e ficava de frente para a cozinha, permitindo que Alice conseguisse assistir a televisão durante os preparativos das refeições.
Henrique era o típico moreno alto dos olhos azuis. Tinha porte atlético, pois considerava-se um atleta, embora não fosse profissionalmente. Barba bem desenhada, cabelo sempre bem cortado no estilo social e as roupas caras faziam dele um perfil de sucesso.
Michel não parava de beber longos goles de cerveja, o que provocava algumas idas ao banheiro. E toda ida de Michel ao banheiro, fazia com que os olhos predadores de Henrique fossem até Alice. Ele apenas observava ela de longe, ali mesmo do sofá. Ela estava sentada à mesa, de frente para a sala, mas em uma longa distância. Alice percebia os olhares constantes de Henrique e um frio gelado no estômago lhe incomodava. A verdade é que ela não gostava de Henrique e sempre percebeu os olhares maldosos dele. Percebeu ainda no ensino médio, mas nunca cogitou contar para Michel por medo de ser a namorada tóxica e destruidora de amizades.
Durante a ida no banheiro, Michel pegou o celular para abrir mais uma notificação do banco. A expressão no rosto suando frio lhe gerava um desespero crescente. O receio de passar vergonha diante dos vizinhos ao perder os bens era imenso. Michel decidiu e saiu do banheiro determinado a mudar a situação.
Assim que voltou para a sala, Alice aproveitou o retorno do marido e foi pro quarto. Michel usou do momento para falar com Henrique:
— Cara, eu preciso de ajuda!
Henrique seguia atento acompanhando a continuação de seu amigo.
— Preciso muito de dinheiro, Henrique! Meu salário o banco já come quase metade. Tô com aluguel atrasado já tem dois ou três meses e daqui a pouco vai à leilão. Tenho que evitar isso, mas não sei mais o que fazer! — disse Michel com as mãos na cabeça.
Henrique apenas observava o amigo durante aquela aflição. Após um pesado silêncio, Henrique disse dando tapas leves nas costas do amigo:
— Calma, Michel! Eu vou te ajudar! Vai no meu escritório lá na empresa amanhã às 14h!
Michel sorrindo respondeu:
— Sério? Combinado, amanhã nos falamos melhor no teu escritório.
Os dois seguiram vendo o jogo. Michel sentia um alívio como se a situação já estivesse plenamente resolvida. Henrique, por sua vez, sabia exatamente o que fazer.
No dia seguinte, Michel foi animado conversar com seu amigo no horário combinado. Quando a secretária avisou o Henrique da chegada de seu amigo, ele pediu para que aguardasse alguns minutos. Depois do acesso liberado, Michel entrou no escritório moderno de seu amigo. Surpreendeu ao ver Henrique bebendo uísque num bonito copo:
— Senta aí, Michel! Relaxa um pouco. Aceita um uísque, meu caro?
Michel prontamente aceitou, fazia tempo que não desfrutava de um destilado.
Henrique seguiu bebendo com os pés na mesa, completamente descansado.
Michel ansioso questionou:
— Desculpa aí, Henrique... Mas o que queria falar? Como vai me ajudar?
Henrique sorriu de canto.
— Calma, cara... Fica tranquilo! Me diz uma coisa, de quanto estamos falando?
Michel respondeu de imediato:
— Uns oitenta e cinco mil.
O amigo rico e aparentemente ostentador, tirou uma pasta de uma das gavetas, colocou na mesa e disse:
— Eu vou te ajudar!
Michel ficou empolgado com a fala de seu melhor amigo de infância.
— Cara, eu não tenho palavras pra te agradecer!
Henrique bebeu mais um gole de uísque, tirou as pernas de cima da mesa e arrumou a postura.
— Mas te ajudo com uma condição!
Os primeiros segundos de euforia se transformaram em agonia. Michel questionou:
— Que condição é essa?
Henrique bateu com o indicador na pasta em cima da mesa e continuou:
— Michel, essa pasta tem um contrato. Nele, eu te passo parcelas referente ao valor da tua dívida. Vai ser como uma dívida tua pra mim ao invés de ser pro banco. Desta forma, tu quita e evita perder tudo.
A agonia de Michel crescia constantemente. Mesmo com a solução diante dele. Após encarar Henrique, enfim Michel perguntou novamente:
— Certo, Henrique... Mas qual é a condição?
Henrique sorriu novamente de canto:
— Eu quero a Alice!
Michel foi tomado por uma raiva explosiva que fez ele se levantar apontando o dedo para o amigo rico:
— Que porra é essa, Henrique? Tá tirando uma comigo???
Henrique terminou de beber o uísque e respondeu:
— Meu caro, eu quero um jantar com a tua esposa amanhã. Depois um jantar no sábado e outro no domingo. Ao final de cada encontro, eu envio o valor dentro de um envelope em uma caixa. Dessa forma você consegue sair do buraco.
Michel começou a andar de um lado para o outro naquele escritório que parecia ter diminuído com o andar da conversa. O rosto de Michel estava vermelho tomado pela ira. Ele olhou pra Henrique e perguntou aumentando o tom da voz:
— Pra que isso?
Henrique segurou a pasta alcançando para Michel. O silêncio denso entre os dois. Michel pegou a pasta e deu as costas para o amigo.
Henrique disse antes de vê-lo sair de seu escritório.
— Pensa bem, Michel!
Michel saiu dali tomado pela ira. Pegou seu carro e foi até a sua casa o caminho todo pensando na proposta de Henrique. Conforme lembrava do momento no escritório, a raiva aumentava. Quando Michel chegou no condomínio que morava, respirou fundo dentro do carro antes de falar com Alice que não sabia nem da dívida. Talvez fosse tarde demais.
Michel entrou em casa e viu Alice chorando copiosamente sentada no sofá. Aproximou-se rapidamente da esposa e viu uma carta junto dela. Era tarde. Alice olhou pro marido e questionou subindo o tom de voz:
— Por que não me contou, Michel?
Ele sabia que a esposa estava brava sempre que era chamado pelo nome.
Depois de longos minutos calado, Michel respondeu:
— Me perdoa, minha princesa... Eu deveria ter contado. Só queria te poupar enquanto tentava resolver.
Alice com os olhos cheios de lágrimas indagou:
— E achou uma saída?
A pergunta dela deu espaço para um silêncio ensurdecedor naquela enorme sala. Michel tinha a resposta e a solução para o problema. Mas não queria que aquela fosse a opção necessária. Michel preferiu não responder. Ele simplesmente foi ao banheiro tomar um banho. Enquanto a água caia no rosto, ele entrava em conflito com seu orgulho. Quando saiu do banho, voltou para a sala onde sentou-se no sofá. Alice aproximou do marido, abraçando-o. Os dois se olharam. Alice repetiu a pergunta:
— Achou uma saída?
Michel enfim respondeu:
— Achei sim, amor.
Alice reconheceu o tom sombrio do marido:
— O que foi, Michel? Qual é a solução?
Michel levantou para buscar a pasta, entregou na mão dela:
— A solução está aqui.
Alice pegou a pasta e começou a ler aquele contrato. Os parágrafos não citavam nada demais, apenas três cláusulas com pagamentos no final.
— Não tô entendendo nada, Michel! O que significa isso?
Michel segurou as mãos dela e verbalizou o mais difícil:
— Amor, eu procurei o Henrique e ele fez uma proposta.
Michel sentia dificuldade para prosseguir com a explicação. Alternava as pausas com profunda respiração:
— Henrique quer ter encontros contigo, amor. Após cada encontro, ele vai pagar parcelas de valor suficiente pra quitarmos toda a dívida.
Alice foi tomada pela ira. O calor da raiva subiu e ela levantou-se do sofá e gritou:
— Eu não sou puta, Michel!!! Tá me entendendo? O que aquele canalha do Henrique pensa que é? Só porque tem dinheiro?! Filho da puta!
Alice ficou muito brava com aquela proposta e embora Michel tenha ficado ofendido, ele tentou acalmá-la. Não deu muito certo. Dessa vez foi Alice que foi tomar um banho gelado. Durante a queda da água caindo sobre seu corpo, Alice recebia flashs de memória sobre cada aquisição com Michel. Ela pensou nos móveis, no carro, nas roupas, maquiagem e perfumes que comprou no cartão. Tudo passava como um relâmpago brutal na mente dela. Ao sair do banho, Alice observou tudo que havia na casa ao mesmo tempo que via o marido com aquela carta na mão.
— Temos até terça-feira pra pagar tudo. — disse Michel com a voz embargada.
Alice pensou nas compras, na vergonha que passaria com os vizinhos se fosse despejada e em recomeçar a vida do zero. O casal chorava. Michel no sofá desolado e Alice secava-se com a toalha enquanto as lágrimas caíam.
Alice vestiu-se com um conjunto de moletom e sentou-se ao lado do marido. O silêncio era tenso e pesado. Os dois foram deitar sem falar um com o outro. Aquele silêncio entre eles era tortura pura. Quando Michel desligou o abajur, Alice exclamou:
— E se eu aceitar, Michel?
Ele observava a esposa como se estivesse encurralado.
— Amor, eu não vejo outra opção. Odeio admitir isso e não entendo o porque do meu melhor amigo de infância fazer isso.
— Liga pro Henrique e confirma. Nós vamos fazer isso somente pelo dinheiro. Eu não quero passar vergonha com a vizinhança!!!
Michel tentou abraçar a esposa mas ela deitou para o lado oposto ignorando-o. Alice caiu no sono vencida pelo cansaço enquanto Michel sequer dormiu. Ele ligou para Henrique confirmando a ida de sua esposa ao jantar.
Durante a ligação, Henrique enviou um arquivo com algumas instruções para o casal seguir. Assim que a ligação encerrou, Michel chorava de um lado sentindo aquela humilhação pesando enquanto Henrique sorria do outro lado da linha.
No dia seguinte, Alice tomou banho já sentindo nojo do que estava por vir. Ela colocou um vestido preto, o mais caro do closet, para ir ao jantar. Michel sentia-se cada vez mais frustrado por entregar a esposa ao seu melhor amigo em troca de dinheiro. O ronco do motor anunciava que Henrique se aproximava em seu carro esportivo. A cor vermelha brilhando na carroceria. O coração de Michel apertava enquanto via Alice saindo de casa. Ela só conseguia acenar um tchau pra ele tamanho o bloqueio que a situação abriu.
Os olhos de Henrique brilharam ao ver Alice chegando:
— Uau, você está maravilhosa! — disse ele ao se aproximar.
Alice olhou pra Henrique, que também estava muito bem vestido em seu smoking preto, e desdenhou somente com o olhar. Henrique abriu a porta do carro e ela entrou. Ele fez questão de acelerar alto para que ouvissem. Finalmente Henrique sairia com seu maior desejo.
O silêncio no carro era imenso, mas Henrique manteve-se quieto durante todo o trajeto. Quando ele adentrou no bairro mais nobre da cidade, Alice já imaginava onde iria. Ela estava certa, pois Henrique estacionou no melhor restaurante da cidade, um cinco estrelas. Henrique e Alice entraram no restaurante e foram para uma área exclusivamente reservada para os dois. Ele puxou a cadeira para ela e sentou-se em seguida. Assim que o garçom chegou, já trouxe consigo um vinho tinto argentino. Alice olhou para a garrafa e levantou as sobrancelhas. Henrique percebeu e já declarou:
— Sim, é o teu preferido!
— Mas como você sabe disso? — ela retrucou.
Henrique sorrindo respondeu:
—Michel contou sobre a história da viagem de vocês a Buenos Aires e desde então eu tenho salva a informação.
Alice estava com nojo e até com um pouco de medo, mas aquele momento deixou ela surpresa. A noite seguiu com um clima estranho para Alice. O marido em casa em agonia enquanto ela desfrutava de um bom restaurante, aumentava o conflito dela. Henrique e Alice seguiam jantando. Ele olhava pra ela constantemente, deixando-a sem jeito. Alice estava tão desconfortável que resolveu apelar:
— Não basta ter comprado esse momento, vai ficar me encarando também?
Henrique bebeu um gole de vinho e respondeu calmo:
— Eu apenas invisto no que há de melhor, valorizando o que realmente é precioso, Alice.
A voz calma e tranquila desconcertou ela completamente. Alice não esperava aquela resposta. Henrique fez sinal para o garçom trazer a sobremesa. Quando chegou, Alice percebeu que era a preferida dela e olhou novamente para Henrique, indagando-o:
— É sério isso, Henrique?
— Petit Gateau, a sua preferida. — respondeu novamente com tranquilidade.
A postura pacata de Henrique deixou Alice sem jeito, tirando até um sorriso de canto dela.
Terminada a sobremesa, Henrique pagou a conta do restaurante e foi junto com Alice até o carro no estacionamento. Ele abriu a porta para ela e entrou na sequência. Alice estava nervosa, pois ela não fazia ideia para onde seria levada. Se iriam para algum motel ou para a casa de Henrique. A ideia de qualquer local deixava Alice nos nervos. Quando ela reconheceu o caminho de casa, estranhou. Ela permaneceu em silêncio o caminho todo. Henrique parou o carro em frente ao condomínio onde ela morava. Alice ficou sem entender. Ela olhou para Henrique e comentou:
— Desculpa, Henrique, mas eu não entendi...
Henrique olhou pra ela sorrindo novamente:
— Não sabe quanto tempo eu esperei por isso, Alice. Mas ter tempo contigo é muito valioso pra mim.
Alice foi tomada pela confusão. Ela não entendia o que estava acontecendo. Henrique pegou uma caixa que estava no banco de trás e alcançou para ela dizendo:
— Te busco amanhã no mesmo horário, Alice.
Ela apenas concordou, saiu do carro e foi caminhando confusa até chegar em seu lar.
Quando Alice entrou na casa, não viu Michel. Ao perceber que ele não estava, ela correu para o quarto do casal e trancou a porta. Sentou-se na cama e abriu lentamente a caixa entregue por Henrique. Após remover a tampa, ela foi tomada por uma surpresa. Na caixa, havia um vestido de seda na cor azul celeste, a cor que Alice mais gostava. Embaixo do vestido, havia um bilhete que dizia: "Um presente pra você usar em nosso jantar amanhã". A frase do bilhete junto com o vestido com sua cor favorita e todos os momentos daquela noite, fizeram Alice sentir um frio gelado na espinha. O jantar e todo o comportamento de Henrique soavam como uma fuga para Alice diante daquela pressão de dívidas.
Michel estava no banheiro tomado pela vergonha de imaginar a esposa dando para o seu melhor amigo. Ele não conseguia evitar a cena de Henrique fodendo Alice de quatro enquanto ela sorria. A insegurança transbordava em Michel que suava frio com a imaginação. Quando saiu do banheiro, sentou-se no sofá da sala aguardando sua esposa chegar. Alice saiu do quarto já com seu moletom de dormir e viu seu marido em pleno estado de nervos. Michel viu a esposa aproximando-se e levantou na hora colocando as mãos na cintura, esperando alguma fala dela. Alice foi até a cozinha pegar um copo d'água e disse:
— Não aconteceu nada, amor.
Michel sem entender nada, perguntou:
— Como assim? Eu não entendi...
— Nem eu, mas Henrique foi muito gentil. Ele não disse nada demais e não tentou algo também.
Michel ficou confuso junto com Alice. Talvez até mais confuso, pois ele conhecia Henrique desde a infância. Michel foi para o quarto sem entender o que estava acontecendo. Quando Alice chegou no quarto para deitar, comentou:
— Acho que ele só quer jantar comigo mesmo, amor.
— Ele vai pagar oitenta e cinco mil por cada jantar, princesa! — respondeu Michel incrédulo.
Alice apagou a luz do abajur e deitou do lado oposto ao marido para dormir. Mas lá no fundo, Alice sentia uma ponta de ansiedade para a noite seguinte.
O sábado chegou e tanto Michel quanto Alice, esperavam pela noite. Michel sentia-se estranho por não ter rolado nada na noite anterior. Ele não conseguia entender. Alice sentia expectativa pelo segundo encontro. Principalmente pelo fato de Henrique não ter sido o monstro que ela esperava. Muito pelo contrário.
A noite estava se aproximando e após tomar banho, o momento de colocar o vestido chegou. Alice sentiu um nervosismo ao vesti-lo, sem saber explicar ou entender de onde vinha esse sentimento.
Continua...

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