Dívida paga

  • Temas: Dominação; voyeurismo; tensão sexual
  • Publicado em: 19/07/25
  • Leituras: 5627
  • Autoria: mama_tardot
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Private Muse

Laura sempre foi dessas meninas que parecem ter nascido com tudo: educação de ponta, carro importado, corpo escultural — e um rosto angelical que disfarçava desejos que ninguém jamais suspeitaria. Era linda, sim, mas também fazia questão de ser discreta. O tipo de mulher que chamava atenção por onde passava, sem parecer que estava tentando. Natural. Intocável. Cresceu entre pais ausentes: a mãe obcecada por compras e aparências, o pai engolido por negócios. Tinha tudo, menos presença.

E foi no silêncio do quarto, entre lençóis de algodão egípcio e pelúcias empilhadas, que Laura encontrou uma porta secreta para seu verdadeiro mundo. Começou com textos. Depois vieram as imagens. Vídeos. Vozes. Perfis anônimos em fóruns onde ela não era mais a garota perfeita — era outra coisa. Era desejo. Era submissão. Era loucura em forma de obediência. Ela não se mostrava. Nunca. Mas obedecia. Com tesão. Com medo. Com gosto.

“Fica de quatro pra mim.”

“Você é minha putinha.”

E se eles pudessem ver… ver a Laura de verdade, aquela que tremia, molhada, enquanto obedecia comandos de desconhecidos... Talvez não durassem cinco minutos. A cena era magnífica. A calcinha abaixada até os joelhos, a boca mordendo o travesseiro pra conter os gemidos. Quando os pais estavam em casa, gozava baixinho. Quando viajavam — e viajavam muito — ela se transformava. Fora daquele quarto, ninguém imaginava. Ela era discreta, fina e educada. E homens como Mário adoravam esse tipo.

Mário foi o primeiro a cercá-la com promessas, presentes, e uma aparência de estabilidade. Filho de um empresário corrupto, seguiu os passos do pai com desenvoltura — fazia acordos sujos com um sorriso no rosto e achava que, por pagar contas e jantar fora, merecia devoção. Laura entrou nesse casamento como quem entra num papel: esposa perfeita. E quase convenceu a todos. Quase. Porque mesmo entre lençóis caros, mesmo com uma vida sexual ativa, Mário nunca conheceu a verdadeira Laura. Aquela que queimava por dentro. Aquela que queria comando. Que se excitava mais com um “abre as pernas” do que com uma joia cara. A que tremia de verdade quando sabia que não estava no controle.

Foi quando o risco apareceu. Nome de homem. Voz firme. Terno sob medida. Perfume caro e olhar de quem sabe exatamente o que quer. Marcelo. Advogado criminalista, respeitado — e temido. Era daqueles que não perdiam um caso. Não por sorte, mas porque fazia o que fosse necessário. Sempre soube usar a verdade, a mentira, e o desejo das pessoas ao seu favor. Com as mulheres, não era diferente. Ele escolhia. Caçava. Sabia reconhecer as que tinham uma chama escondida. E quando viu Laura pela primeira vez, nem precisou muito: já sabia.

Não precisou tocar. Bastou olhar. Ver como ela cruzava as pernas. Como olhava para baixo, mas mantinha a coluna ereta. Uma princesa por fora, uma bomba prestes a explodir por dentro. Já tinha ouvido falar dela. Não era difícil. Em rodas discretas de advogados e empresários, Laura era citada como uma das mulheres mais belas da cidade — mas sempre com um misto de reverência e frustração. A loira inalcançável. A esposa perfeita. Corpo escultural, rosto de boneca, comportamento impecável. Uma patricinha discreta, reservada, que não se envolvia em escândalos e que, apesar de tudo, fazia questão de não parecer sedutora. Mas falhava miseravelmente nisso. Era o tipo de mulher que podia vestir moletom largo e mesmo assim faria os homens babarem. Ela não fazia por querer. Mas o jeito de andar, o modo como prendia o cabelo, até o jeito contido com que sorria... Laura provocava sem tentar. E talvez fosse isso que enlouquecia Marcelo: ela tentava esconder — e ele enxergava.

Passou a frequentar a mesma academia só para observá-la de perto. Mapeou os horários. Descobriu que ela fazia natação duas vezes por semana. E foi numa dessas manhãs que tudo mudou. Laura saiu da piscina com passos lentos, espremendo os cabelos loiros num coque improvisado, o maiô preto grudado no corpo. Não era cavado, não tinha decote, não mostrava quase nada — e mesmo assim, mostrava tudo. A curva perfeita do quadril, os seios firmes sob o tecido molhado, as coxas marcadas por músculos discretos. Os homens pararam. Literalmente. Alguns tentaram disfarçar. Outros nem isso. Marcelo viu a cena e não precisou mais de nada.

A obsessão, até então silenciosa, ganhou forma. Não era só desejo. Era competição. Instinto. Ele queria aquela mulher. E não só para foder — queria ver ela se render. Por isso, quando Mário, atolado em dívidas, entrou em seu escritório, Marcelo já sabia como vencer. A conversa começou amistosa. Whisky, charuto, cordialidade forçada. Mas quando Mário disse que não podia pagar, Marcelo foi direto:

— Então me ouça. Tenho uma proposta. – Mário ficou em silêncio. A tensão escorria pela testa.

— É simples. Eu vou tentar conquistar sua mulher.

— Você está maluco?

— Calma. Escuta até o fim. — Marcelo se levantou, encheu mais dois copos, e voltou a falar como quem dita sentença. — Se ela resistir, sua dívida está quitada. Eu desapareço. Nunca mais te cobro um centavo. Mas se ela me quiser…

Silêncio.

— ... Você perde.

Mário riu, nervoso. Depois hesitou. Marcelo percebeu. Um homem que hesita já está vencido.

— Não vou forçá-la. Nunca encostarei um dedo se ela não quiser. Mas se quiser… — ele sorriu de lado — eu também não vou negar.

— E se ela disser não?

— Você está livre. Sem dívidas. E com sua mulher. Mas vai ser ela quem vai escolher.

Mário ainda tentou resistir. Mas a promessa de se livrar de Marcelo — e mais ainda, a confiança idiota de achar que conhecia Laura — o empurrou para o abismo. Aceitou. E foi ali que Marcelo ganhou. Porque não era apenas sobre dinheiro. Era sobre poder. Sobre domar aquilo que ninguém domava. Sobre fazer uma mulher como Laura se ajoelhar... Por vontade própria. Ele só precisava de tempo. E de uma oportunidade. E essa, ele saberia criar.

Marcelo pediu que o casal fosse até sua casa. Disse que prepararia um jantar especial para selar o acordo. Mário, sem entender muito bem o motivo, topou — e Laura, curiosa, apenas acompanhou. A noite estava quente. A casa iluminada com luzes suaves. Na mesa, uma fartura indecente de lagostas, frutos do mar e um vinho caro que parecia deslizar melhor a cada gole. As risadas eram falsas, mas convincentes. Laura estava linda, como sempre, vestindo um vestido leve demais pro tanto de desejo que Marcelo sentia desde o primeiro dia em que a viu.

E então veio a pergunta que quebrou a encenação:

— Estamos comemorando alguma coisa?

Marcelo riu, cínico.

— Ahh… quer dizer que o seu marido não te contou?

— Contou o quê? — Laura virou-se para Mário, o sorriso já vacilando.

— Melhor deixar que ele mesmo diga. — Marcelo recostou-se na cadeira, girando o vinho na taça com uma tranquilidade diabólica.

O silêncio caiu como uma pedra. Mário engoliu seco. Laura percebeu o nervosismo, e seu corpo inteiro ficou em alerta.

— Fala, Mário. O que estamos comemorando?

— Amor… é que… bom… eu tinha uma dívida alta com o Marcelo. E ele fez uma proposta. Eu aceitei.

— Que tipo de proposta?

— Ele… ele quer te conquistar. Disse que, se você aceitasse, ele perdoaria tudo.

— COMO É QUE É? — a voz de Laura subiu num grito carregado de raiva e incredulidade.

— Ei, calma. — Marcelo interrompeu com aquele tom frio, mas firme. — Eu só fiz a proposta. Quem aceitou foi ele. Eu não forço ninguém. Nunca precisei.

Laura se levantou num impulso, atordoada.

— Vocês são dois filhos da puta!

— Ah, não me inclui nisso, anjo — Marcelo disse, com aquele veneno doce escorrendo da voz. — Eu só quero a chance de mostrar que você pode ser mais do que essa esposinha frustrada. Quero fazer a mulher que você esconde aí dentro sair. A puta obediente que você sufoca há anos. A frase cortou o ar como um tapa. Laura arregalou os olhos, como se ele tivesse invadido um espaço secreto. Aquilo mexeu. Por dentro. Onde não deveria.

Ela sentiu. O calor. A tensão. A raiva. E pior: sentiu-se molhar. Bastou ele falar em “puta obediente”. Bastou aquele olhar fixo, aquele tom de voz que não pedia, ordenava. Ela quis bater nele. Quis cuspir na cara dele. Mas só conseguiu bater com força as duas mãos na mesa e encarar Marcelo com ódio.

— Filho da puta!

Pegou a bolsa e saiu batendo a porta.

Mário correu atrás, desesperado. Na calçada, tentou explicar, falar que era só um jogo, que dependia só dela, que se ela não quisesse, Marcelo não faria nada. Mas Laura não respondeu. Não disse nada. Dentro dela, o ódio por Mário queimava… Mas uma outra sensação, escondida, pulsava mais fundo. E Marcelo sabia. O jogo tinha começado.

Laura não dormiu naquela noite. O corpo ainda tremia, mas não era mais de raiva. Era algo que ela não queria nomear. Uma espécie de calor envergonhado que subia pelas coxas e queimava o rosto. Ela se odiava por aquilo. Mário tentou conversar. Tentou dormir na mesma cama. Tentou fingir que não tinha feito o que fez. Mas Laura não disse uma palavra. A única coisa que ele ouviu dela, antes de se trancar no banheiro, foi:

— Você me vendeu.

E isso doeu mais do que qualquer xingamento. Ela estava nua na frente do espelho, enrolada em uma toalha, e se encarava como se fosse outra. Uma Laura que ela mesma mal reconhecia. Porque, no fundo — lá no fundo — uma parte dela queria saber o que viria depois. Do outro lado da cidade, Marcelo olhava para a taça de vinho vazia. Sorriu sozinho. O jogo tinha começado. E ele conhecia o tabuleiro.

Marcelo sabia sempre a hora de agir, outro dia ela estava distraída, mexendo no celular, os fones ainda nos ouvidos. A calça legging preta colada nas coxas, a blusinha larga escorrendo pelo ombro — simples, confortável, mas nela, tudo parecia feito pra provocar. Quando ergue os olhos, lá está ele. Marcelo. Camisa clara, blazer aberto, barba por fazer. Postura relaxada demais pra alguém que aparece ali “por acaso”.

— Laura.

Ela congela. Sente os músculos da coxa enrijecerem sozinhos. Respira fundo.

— Você por aqui? — ela tenta manter o tom seco.

— Coincidência. Ou talvez não. — sorri, simpático, como se fosse só mais um conhecido amigável.

Ela tenta passar por ele com um aceno, mas ele se move devagar, bloqueando a passagem sem ser óbvio.

— Só queria conversar. Prometo que não vai doer.

Ela bufa.

— Já passamos dessa fase, Marcelo. Você me armou uma emboscada com meu próprio marido. Não tem mais conversa.

Ele sorri, mas não cede.

— Você fala como se não tivesse ficado curiosa. Como se não tivesse gostado do que ouviu naquela noite.

— Você é nojento. — ela crava.

Ele apenas abaixa o rosto, mais perto, sem tocá-la. Ela empurra ele de leve com o ombro e passa, sem dizer mais nada. Ele não vai atrás. Só observa. Quando ela está quase entrando no carro, ele fala:

— Laura.

Ela vira, irritada.

— O que você quer agora?

Ele não se move, apenas a encara.

— Tira a calcinha antes de dormir hoje.

Ela arregala os olhos. O sangue some do rosto por um segundo. Não pela vulgaridade — mas pela forma como foi dito. Calmo. Frio. Dono.

— Vai se foder. — ela responde, mas a voz sai fraca.

Marcelo apenas dá meia-volta e entra no carro. Ela ainda está ali, parada, tremendo de raiva — ou seria de... Outra coisa?

Laura está tomando um café, próximo a academia tenta se distrair. Pediu um capuccino, abriu o celular, colocou os óculos escuros. Está sozinha. Está tranquila. Ou deveria estar. Mas ela só pensa em uma coisa.

"Tira a calcinha antes de dormir hoje."

Ela não tirou. Mas pensou. E isso bastava pra deixá-la inquieta. Se ele soube que ela obedeceu, o que faria? E se souber que não obedeceu, faria pior? Por que aquilo parecia um jogo onde, mesmo perdendo, ela era a peça central? Ela cruza as pernas debaixo da mesa e suspira. Pensa em Mário — idiota, fraco, previsível. Tão previsível que nem imaginou que a proposta de Marcelo fosse mais do que uma loucura. Mas era. Era um plano. Laura sabia que Marcelo não era um homem qualquer. Ele era o tipo de homem que não precisava gritar pra ser obedecido. Que fazia uma mulher tremer só com um olhar. Que podia tomar, mesmo sem encostar. Ela sentiu isso. No tom de voz. Na calma dele. O pior é que ela sentiu o corpo reagir. Como se o sangue tivesse descido todo ao ouvir aquele comando. Ela pensava:

“O que teria acontecido se eu tivesse tirado? Ele me vigiou? Estava ali? Teria ido até mim?”

O café já esfriava. Ela olhava pro vidro, distraída, quando uma notificação no celular vibrou. Número desconhecido. Mensagem:

“Hoje, você vai usar a menor calcinha que tiver. E vai me mandar uma foto.”

Laura engoliu seco. A mão tremeu levemente enquanto lia de novo. Fechou o celular com raiva — ou tentou parecer que era raiva. Como se apagar a tela fosse suficiente pra apagar o efeito daquela mensagem em seu corpo. Não respondeu. Não mandou nada. Foi dormir naquela noite de calcinha grande, quase como quem desafia. Mas dormiu… inquieta. Virava de um lado pro outro. A mente repetia aquela ordem como um sussurro.

Laura acordou antes do despertador. O corpo ainda sentia a agitação da noite. Tomou banho e, sem entender muito bem por quê, abriu a gaveta mais ao fundo do closet — aquela onde guardava as peças que quase nunca usava. Escolheu uma calcinha de renda vermelha. Minúscula. Não era fio-dental, mas quase. Marcava, subia, enfiava… provocava. Vestiu. Olhou-se no espelho. E naquele instante, não era mais a esposa perfeita. Era a garota do blog. A anônima, que recebia áudios sujos, que obedecia comandos, que gozava em silêncio, escondida sob as cobertas. Ela se sentiu viva. Laura vestiu a legging por cima da calcinha minúscula com uma precisão quase cerimonial. Aquela calcinha. A que ele mandou ela usar. E ela… usou. Não porque obedecia. Claro que não. Ela só queria sentir o que aconteceria. Queria testar até onde aquele jogo poderia ir. Pegou a garrafinha, passou um hidratante nos braços, e saiu. No espelho do elevador, deu aquela última olhada no reflexo. O top marcava os seios, o quadril parecia ainda mais acentuado. A legging fina deixava a calcinha quase invisível. Era como se ela estivesse pelada por dentro. E isso deixava seu coração acelerado. Na recepção da academia, já sentiu os olhares, imagina se soubesse a calcinha que estava usando. Mas não estava ali por eles. Foi direto para a esteira. Fone no ouvido. Olhar reto. Concentrada. Mas então…Ele entrou. Marcelo. Camisa preta, calça leve de treino, cabelo molhado. O perfume chegou antes dele. Sempre chegava. Ele parecia relaxado, como se estar ali fosse parte do plano de sábado qualquer. Mas não era. Laura soube no exato instante. Ele sabia. Talvez não da calcinha. Mas do efeito. Marcelo a viu, deu um leve sorriso de canto, e se aproximou por trás da esteira.

— Não imaginava que a sua obediência viria com tanto bom gosto… – A voz grave. Baixa. Quente. Laura quase tropeçou nos próprios passos.

— Obediência? — tentou parecer firme.

— Ué… não foi você quem escolheu usar a menor calcinha do armário hoje?

Ela travou. Piscou. Ele sabia? Marcelo deu um passo mais perto. Agora podia sentir o calor do corpo dele.

— Eu queria ver a foto, Laura. Mas você usar já é um começo.

E sorriu. Como quem tinha ganhado a aposta. Laura não disse nada. O rosto quente. A pele arrepiada. O coração acelerado batendo tão forte que ela jurava que todos podiam ouvir. Mas continuou andando, olhando pra frente. Como se não fosse nada. Como se estivesse no controle. Mal ele sabia que naquele momento, a menor calcinha do armário estava se contorcendo entre suas pernas. Molhada.


Já era tarde da noite quando ela chegou da academia, após aquele encontro meio inesperado com Marcelo, foi direto para o banheiro. Sozinha, Mário andava sei lá por onde. Ainda usava a legging agora não mais suada, mas húmida, fazia seu corpo estremecer de frio. Lavou seu rosto, mas ao fechar os olhos um misto de lembranças bateu! Marcelo e seu tom autoritário no modo de falar com ela, suas noites em que gozava intensamente. “Esquece isso”, ela pensava e lutava contra si mesma, respira fundo, irritada. Vai até a cozinha, abre a geladeira sem saber o que quer. Fecha. Vai pro sofá e deita, braço no rosto, morde os lábios. Brava consigo mesma, senta no sofá, decidida a esquecer os pensamentos momentâneos. Tenta ver uma série, mas na sua mente aquele quase toque em seu seio martelava. Cansada do dia e do treino, acaba adormecendo, afinal, quem nunca? Um sono breve mais profundo, Marcelo entra naquela sala, ela está ali deitada no sofá, ele caminha em sua direção, os dois se encarando, nenhuma palavra dita, ela sente as mãos fortes de Marcelo tocarem seu corpo e a fazerem ficar de bruços em um movimento rápido. Ele tinha um olhar feroz e olhando no fundo dos olhos dela, tirou a calça dela, revelando a bunda branca e redonda envolvendo aquele discreto pedaço de pano. PÁ! Um tapa! Laura acorda com o coração disparado. O corpo quente. O rosto vermelho. Mas não é vergonha — é raiva de si mesma.

— Puta que pariu! — ela diz, sentando no sofá com força. Os cabelos caem pelos ombros, o peito ainda ofegante.

Passa as mãos no rosto, tenta afastar as imagens do sonho. “Eu tô ficando maluca”, pensa. Levanta, vai até o banheiro outra vez. Encarar o espelho é mais difícil agora. Ela lembra do jeito que Marcelo falou com ela. Da firmeza na voz. Da segurança no toque. Do tapa — no sonho — e do quanto, contra toda a lógica, gostou. Volta pro quarto, mas não dorme. Fica deitada, olhos abertos, pensando. Entre as pernas, uma pressão incômoda. Cruza as pernas, como se pudesse esmagar o desejo. Mas Marcelo ainda está ali. Dentro da mente dela. Como se tivesse deixado marca.

Era fim de tarde quando o celular de Mário vibrou com insistência. Ele atendeu em voz baixa, se afastando da cozinha, onde Laura cortava algumas frutas para o pré-treino.

— Agora? — ele sussurrou, franzindo a testa. — Mas é fim de semana... Eu ia… – Silêncio. Só o som abafado da outra voz do outro lado da linha.

— Tá. Eu resolvo isso. – Desligou sem dar muitos detalhes.

— Amor… surgiu um imprevisto. Vou precisar viajar amanhã. Coisa rápida. Vou de manhã cedo, volto em dois dias, no máximo.

Laura nem respondeu de imediato. Continuou cortando as frutas, como se não ligasse. Na verdade, ligava sim — mas não por saudade. No fundo, aquela ausência inesperada soava quase como um respiro. Como se o ar em volta ficasse mais leve. Como se a ausência dele fosse um convite ao perigo. Mais tarde, enquanto ele terminava de arrumar uma pequena mochila, Laura o viu encostar o zíper e fechar o compartimento com força. Mário tinha pressa — ou estava nervoso. Talvez os dois. Mas ela não se importou. Só notou o quanto se sentia estranhamente… livre.


Era tarde de sábado, Laura combinava algo entre amigos e o seu celular vibrou. Era Marcelo.

– Hoje à noite, sem sutiã. Só isso!

Ela arregala os olhos. Nenhum ‘oi’, nenhuma explicação. Só isso. Ela deixa o celular de lado. Bufando. Vai tomar banho. Mas ao abrir a gaveta… hesita. A mão para no sutiã. E então, pela primeira vez, não pega nenhum. Mais tarde, saí pra jantar com amigos. Ninguém nota. Mas ela sente o frio nos mamilos, a leve pressão do tecido no vestido. A cada movimento, um lembrete: ela obedeceu. E gostou. Antes de dormir, Marcelo manda outra mensagem:

“Boa garota.”

Ela não responde. Mas morde os lábios — e dorme com um calor entre as pernas. Após esse gatilho, Laura percebe que obedeceu porque quis. Isso mexe com ela. Marcelo percebe a abertura.


A casa estava mergulhada num silêncio morno. Laura saiu do banho, secando o cabelo com uma toalha, vestida com um short finíssimo e uma blusinha que mal escondia os seios. Não era intenção, mas ao mesmo tempo... Era. No quarto, ela deitou de bruços na cama, pegou o celular, mas não conseguiu focar. Ela sabia que aquele silêncio significava mais do que liberdade. Era um sussurro do perigo. Do jogo. Do desejo que ela vinha tentando sufocar. Seu celular vibrou na cabeceira da cama. Marcelo.

“Sozinha agora, não é?”

Ela leu e não respondeu de imediato. Mas os lábios se curvaram num sorriso discreto, involuntário. Aquilo não era mais uma surpresa. Era esperado.

“Abra a porta.”

Laura hesitou por um segundo. Depois caminhou até lá. Quando girou a maçaneta, encontrou a garrafa de vinho — tinto, seco, o que ela gostava — e ao lado, um envelope preto, lacrado. Ela pegou tudo. Sentiu o coração bater um pouco mais rápido. Fechou a porta atrás de si. No quarto, abriu o envelope com cuidado. Dentro, o bilhete dizia:

“Vista uma camisola.

Desamarre o cabelo.

Sirva o vinho.

Sente-se no sofá.

Só a taça.

Me mostre.”

Sem pensar, Laura mordeu o lábio.

Ela leu o bilhete de novo. A cada linha, uma memória vinha — as noites escondidas, as conversas anônimas, os comandos que ela tanto odiava... Amar. E dessa vez… ela não fingiu resistência. Escolheu a camisola como se já soubesse qual seria. Um tecido fino, quase transparente, que grudava no corpo sem precisar esforço. Desamarrou o cabelo. O perfume dela subiu com o movimento. Derramou o vinho na taça. Sentou-se no sofá. Ajustou a pose. Celular em mãos. Uma foto. A taça no centro. Um vislumbre de pernas nuas ao fundo, como um acidente. Enviar. A resposta não demorou:

“Boa menina.”

Ela sorriu sozinha. Não de vergonha. De tesão. A taça ainda estava na mão. Laura sentia o vinho deslizar morno pela garganta, mas o calor que subia não vinha da bebida. Era de dentro. Um calor de submissão contida, como um animal selvagem pronto para ser domesticado — e querendo. Outra mensagem:

“Deixe a taça no chão. Cruze as pernas.”

Ela obedeceu. Fez isso com naturalidade, sem pressa. Não porque queria agradá-lo. Mas porque gostava do efeito que aquelas ordens tinham sobre ela. Mais uma notificação. Novo comando:

“Apoie a mão entre as coxas. Apenas apoie.”

Laura fez. Ela pegou a taça de novo. Bebeu. Queria mais coragem. Queria dizer sim sem dizer em voz alta. Notificação.

“Agora… me diga: O que você está sentindo?”

Laura hesitou. O dedo médio já pressionava levemente o tecido fino. Mas a mensagem dele pulsava diante dos olhos. Ela digitou:

“Estou… quente. Molhada. Com medo.”

E apagou tudo. Escreveu de novo:

“Estou obedecendo.”

Enviar. O som da mensagem sendo entregue parecia um disparo. O coração batia rápido. O corpo suado, quente, trêmulo. A resposta não demora:

“Fique de pé. Devagar.”

Ela se levanta. Nua, exceto pela camisola fina e a calcinha minúscula. O vinho já não fazia mais efeito — quem a embriagava agora era ele.

“Tire a calcinha. Lentamente. Quero que sinta ela sair de você.”

Com os dedos firmes, ela puxou a peça delicada. Sentiu o tecido escorregar pelas coxas, descer com suavidade — como uma carícia. Ela jogou a calcinha longe, sem cerimônia. Como se dissesse: 'faça de mim o que quiser'.

“Agora, tire a camisola.”

Laura obedece. Puxa o tecido devagar. O frio da noite contrasta com o calor do seu corpo. Os mamilos rígidos. A pele corada. Nua. Inteira. Para ele. Nova mensagem.

“Deite no sofá com as pernas bem abertas. Quero você escancarada. Levante as pernas, segure pelos joelhos. Mostre o quanto está molhada.”

Laura respirou fundo. Deitou-se. As costas no estofado, a cabeça levemente apoiada. Dobrou as pernas até o peito e segurou firme pelos joelhos. A posição deixava sua buceta completamente visível. Aberta. Inchada. Escorrendo . Era humilhante. Era libertador. Era excitante.

“Agora… se toque, com dois dedos. Devagar. Mas quando gozar… quero que diga meu nome. Me mande um áudio.”

Laura obedeceu. Sem nem pensar. Os dedos deslizaram com facilidade, estavam encharcados. Ela fechou os olhos. Arfou. E começou a se tocar. Lenta. Profunda. Cada vez mais urgente. Os gemidos vieram primeiro. Baixos. Entre dentes. Depois… o nome. Quente. Soprando:

“Marcelo…”

Ela apertou o botão de gravar. Enviou o áudio com o corpo ainda tremendo. A resposta não demorou. Imagem anexada. Era ele. O pau duro, pulsando, gozado. A mão firme. Os dedos sujos de prazer. A legenda:

“Boa menina.

Esse gozo… é todo seu.”

Laura caiu para o lado, ofegante. Ainda com as pernas abertas. Ainda molhada. Ainda dele. E pela primeira vez… Ela não se sentia usada. Se sentia possuída. E queria mais.

Marcelo agia rápido e percebendo que Laura, pela primeira vez, cooperou, propôs um acordo. Eles se encontram. Ele a convida pra conversar, com o pretexto de esclarecer algumas coisas. Um café, um lugar discreto. Clima tenso, mas menos hostil.


- Você gostou da sensação, Laura. Sentir que alguém está conduzindo. Admitir isso não te diminui.

- Eu não vou ser controlada por você.

- Não quero te controlar. Quero te guiar. Só quando você deixar. Você diz sim. Você diz não. Mas quando disser sim… você obedece. Sem discutir. Sem duvidar. E em troca… eu te dou tudo.

Ela não fala por um instante. Mas o coração bate mais rápido. O rosto aquece.

- E se eu quiser parar?

- Você fala. E eu paro. Sempre.

Silêncio. Ela cruza as pernas. A tensão no ar já é quase sexual.

- Uma noite. Só uma.

- Uma noite por vez. E cada uma melhor que a anterior. - Ele fala olhando nos olhos dela com a voz firme.

Eles se encaram. Não se tocam. Mas está feito. O acordo está selado.

Marcelo manda uma mensagem:

“Quero te ver hoje. Vá até aquela loja no final da rua do prédio do meu escritório. Já deixei separado. Vista a peça. E me mande uma foto de dentro do provador”.

Ela hesita. Mas vai. Chega na loja. A atendente entrega uma caixa com um vestido curto, colado, e uma lingerie ousada de renda vermelha. Laura entra no provador. Coloca tudo. E a cada segundo, o calor sobe. Está esplêndida, gostosa, o contraste da lingerie vermelha com sua pele clara é ainda melhor. Faz a foto. Apenas do vestido. Mas Marcelo responde rápido:

“Tira. Quero ver tudo”.

Ela olha pro espelho. Está excitada. O coração na garganta. E mesmo assim… obedece. Foto enviada. Quase tremendo. Dez segundos depois, uma mensagem:

“Boa garota. É tudo seu. E hoje à noite… você vai me agradecer como deve, te pego as 20hrs”.

Laura fecha os olhos, senta no banquinho do provador e respira fundo. Está tremendo. Mas não é de medo. É tesão, é entrega, é o medo de não querer voltar atrás. Naquela noite, ela se arruma. O vestido é luxuoso, justo, ousado — mas não vulgar. Ela ri sozinha. Mas a respiração já denuncia: ela quer. Muito. Ao entrar no carro, Marcelo a observa como se cada curva do vestido fosse parte de um ritual.

- Linda. Mas tem um detalhe. - Marcelo falou sério, com os olhos em brasa.

Ela o encara. Ele estende a mão, sem pressa.

- Me dá a calcinha.

Ela engasga no ar. O coração dispara. Está com raiva. Mas está molhada.

- Você é um louco.

- E você é mais corajosa do que finge. Estou esperando.

Ela fecha os olhos por um segundo. Depois leva a mão devagar por debaixo do vestido. Desliza a calcinha pelas pernas, sem mostrar demais. Entrega. Ele pega. Sorri, dobrando o tecido com calma, sente a umidade.

- Boa menina.

O carro parte. Ela tenta olhar pela janela, fingindo indiferença. Mas entre as pernas… o vazio da calcinha, e o calor. O controle, cada vez mais fora das mãos dela. Marcelo sabe o que está fazendo ao deixá-la em casa, sozinha, depois daquela noite “diferente”


Laura vai até o escritório levar um documento a pedido de Marcelo. O escritório é imponente: madeira escura, prateleiras cheias, sofá de couro ao fundo. Ele está de camisa

social e gravata. Um predador em paz. Enquanto conversa com ela, Marcelo tranca a porta sem dizer uma palavra.


— Fica um pouco. Está tudo muito tenso aqui hoje. Preciso de um alívio.

Ela ri, nervosa, mas obedece. Ele caminha até a mesa, pega um papel, assina algo. Depois, volta e diz:


— Tire a blusa. Agora.

Ela arregala os olhos. Ele se aproxima, mas não a toca.


— Você disse que obedeceria. Está segura. Só eu vejo. Quero lembrar disso mais tarde, quando eu não puder te tirar da cabeça.

Ela tira. A pele arrepiada. Os seios à mostra no escritório de um advogado criminalista, com o nome dele estampado na parede. Ele não a toca. Apenas a observa.


— Você me deixa insano.

— Vista-se. Já vi o suficiente por hoje.

Ela sai do escritório minutos depois com o rosto vermelho, o peito ainda palpitando — e as pernas molhadas.

Laura recebe uma mensagem de Marcelo no dia seguinte:

“Preciso que compre algo novo. Agora. Use no jantar de hoje. Não peça opinião. Me mostre no provador.”

Ela suspira. Entra em uma loja elegante. Escolhe um vestido justo, preto, com costas nuas e fenda lateral. Mas no provador, escolhe algo a mais: uma lingerie rendada fio-dental, com detalhes em transparência. Só para vê-lo reagir. Entra no provador, veste. Tira uma foto de corpo inteiro, segura o celular com uma das mãos e ergue o vestido até o quadril. A calcinha mal cobre. O sutiã nem usa. Envia. Dois minutos depois, o celular vibra:

“Compre. Saia da loja sem a calcinha. E sorria para o segurança na porta.”

Ela fecha os olhos, respira fundo. Tira a calcinha e a guarda na bolsa. Ajusta o vestido e sai com o coração acelerado. Ao passar pela porta, o segurança mal a olha. Mas ela sorri.

Por dentro, está queimando. Laura chega em casa. Joga a sacola sobre a cama. O vestido novo. O celular vibra.


“Antes de vestir o novo look, quero que se prepare. Tire tudo. Coloque apenas o salto. E grave um vídeo. De costas para o espelho, rebolando devagar. Sem falar. Só quero ver o que é meu.”

Laura sente o estômago revirar. Tesão. Pura adrenalina. Faz exatamente o que ele pediu. Se posiciona diante do espelho do quarto. Totalmente nua, exceto pelos saltos finos. O reflexo devolve a imagem de uma mulher entregue. Selvagem. Começa a rebolar devagar, como num desfile privado. O vídeo termina. Ela envia. Do outro lado, Marcelo responde com uma única frase:

“Agora vista-se. E venha me encontrar.”

O restaurante era um sussurro elegante. Janelas amplas, iluminação suave, taças de cristal que tilintavam entre pratos silenciosos. Do lado de fora, a cidade pulsava. Do lado de dentro, Laura… fervia. Vestido preto curto, salto alto, perfume leve nos ombros. Sem sutiã. Sem defesa. E agora, sem calcinha. Ou melhor: com ela ainda colada entre as coxas — fina, molhada, umedecida por desejo e antecipação. E Marcelo sabia disso. Ele parecia calmo, com o olhar de quem poderia, com uma palavra, quebrar qualquer estrutura que ela tentasse manter. Se inclinou, rosto próximo ao dela, voz baixa e arranhada:

— Você está molhada, não está?

Laura respirou fundo. Fez que sim com a cabeça. A pele queimava. Os seios mal se continham sob o tecido leve. Marcelo deslizou o celular pela mesa. Uma nova mensagem apareceu:

"Tire a calcinha agora. Sem levantar. Devagar."

Laura congelou por um segundo. O sangue sumiu do rosto — e voltou com força total, em ondas quentes de adrenalina e excitação. Ela hesitou. Marcelo apenas tomou um gole do vinho, como se não tivesse pressa. Mas os olhos estavam cravados nela. E ali, naquele olhar, Laura sentiu a ordem real: Obedeça. Com movimentos mínimos, ela descruzou as pernas. O vestido curto cobria mal suas coxas. As mãos deslizaram até a barra. Um leve inclinar de quadril. Um puxão rápido e silencioso. A calcinha desceu. Macia. Encharcada. Ela a enrolou discretamente na palma da mão, escondendo o tecido escuro entre os dedos. Então… o absurdo. O celular vibrou de novo:

"Quando o garçom voltar, você vai sorrir… e deixar isso no guardanapo. Discretamente. E vai dizer: ‘Obrigada, estava delicioso.’"

Laura engoliu seco.

— “Você tá louco…” — sussurrou, mais para si mesma.

Mas o corpo já tinha aceitado. Minutos depois, o garçom retornou com a sobremesa — uma torta francesa, harmonizada com uma pequena dose de vinho do Porto. Marcelo agradeceu com um sorriso educado. Laura apoiou os cotovelos na mesa, recostou-se com falsa tranquilidade… E então, calmamente, deslizou o guardanapo sobre o colo, escondendo a calcinha ali. Sorriu. Entregou o guardanapo dobrado nas mãos do garçom.

— Obrigada. Estava… delicioso.

O garçom sorriu, sem desconfiar de nada. Ou talvez… sim. Laura não olhou pra trás. Não conseguia. Marcelo apenas tomou outro gole de vinho. O sorriso dele agora era puro sadismo elegante

A tensão está insuportável. O tesão é irrespirável. Laura está pronta para explodir. Marcelo dirige sem pressa. A mão firme no volante. A outra pousa de vez em quando na coxa dela. Sem aviso. Sem hesitação. Laura está arfando. As pernas já não se fecham. Quando entram na garagem do prédio dele, ele desliga o carro — mas não sai. Só olha pra ela. Laura está inquieta, tensa, trêmula.

— Me mostra como você ficou depois do jantar – ele diz, a voz rouca.

Ela solta o cinto, joga-se para o banco de trás. Abre as pernas de uma vez, o vestido encharcado entre as coxas. Os dedos imediatamente procuram seu próprio prazer. Mas Marcelo vai até ela. Ajoelha-se entre as pernas. Olha nos olhos dela.

— Não goze. Ainda não. – a voz é baixa, quase carinhosa, mas é uma ordem.

Ela geme, lutando contra si mesma. Laura geme, morde o lábio, inclina a cabeça para trás. Marcelo afasta o vestido molhado, mesmo sem calcinha, como se removesse algo simbólico — o resto da resistência. E então, beija. Devagar, provocando. Depois com mais fome. Com mais foco. A língua afiada, experiente, explorando cada dobra, cada suspiro que ela solta sem querer. Laura se contorce. Implora com os quadris. Segura os cabelos dele como se não aguentasse. Mas ele não deixa. Marcelo brinca com ela como quem saboreia um vinho raro: apreciando cada gota. E quando finalmente o corpo dela treme, já sem força pra negar, ele suga mais forte. Laura explode em sua boca. O gemido é abafado. Os olhos fecham. A espinha curva. O gozo vem quente, extenso, escorrendo entre os dedos dele e os bancos de couro. Marcelo sobe o corpo lentamente, como um predador satisfeito.


— Ainda não terminamos.


Beija a boca dela, sem aviso, fazendo-a provar a si mesma.

Minutos depois, entram no elevador da cobertura. Laura, zonza de desejo, não espera. Se ajoelha. Abre o zíper da calça dele com os olhos brilhando. Sabe o que quer. O pau dele salta, rijo, latejando — ainda com o gosto dela na ponta da língua. E ela chupa. Fundo. Com fome. As câmeras do elevador que se fodam. Os olhos de Marcelo se fecham, as mãos seguram os cabelos dela como alças. Laura engole. Brinca com a língua. Pede com os olhos. Geme baixo, com o pau dele enfiado na garganta.

Ding. A porta abre. Marcelo segura sua nuca. Puxa com firmeza.

— Anda. Vai na frente. Mostra o que é ser minha.

Dentro da cobertura, ele fecha a porta com o pé e vira Laura de costas sobre a bancada de mármore. Puxa o vestido pra cima com brutalidade. Enfia de uma vez. Sem anúncio. Sem gentileza. Só desejo acumulado. Laura geme alto, o som ecoando entre o vidro e o piso. Ele fode forte. Rápido. Cruel. A mão estalada na bunda, a marca vermelha surgindo na pele clara.

— Diz que é minha.

— Sou tua…

— Mais alto.

— SOU TUA!

Ela goza de novo. Ele também. O primeiro gozo não basta.

Quando Marcelo a puxa da bancada e joga no sofá, Laura já sabe: aquilo não é só foda, é guerra. Guerra contra o tempo, contra a moral, contra o corpo que implora por descanso — mas quer mais. Marcelo está por cima. Depois por baixo. Depois de lado. Dentro dela em todas as direções, ângulos e profundidades. A força do quadril dele batendo nos dela como se quisesse marcar cada centímetro. As pernas de Laura se abrem e fecham tantas vezes que perdem a conta. Os seios vibram com cada estocada. O cabelo desgrenhado cola no rosto, no pescoço, no suor. Os lençóis deslizam pelo chão. O copo de vinho tomba. A camisola rasgada vira resquício de civilidade abandonada. Eles transam na sala. Depois no chão. No corredor.

Laura senta no pau dele e cavalga como se fosse a última coisa que faria na vida — os olhos fechados, as mãos no próprio corpo, o som de sua boceta molhada engolindo cada centímetro. Marcelo a pega por trás, morde sua nuca, a estapeia sem piedade e diz:

— É isso que você queria esse tempo todo, não é?

Ela geme um “sim” entre dentes, completamente entregue.



Goza de novo. E de novo. Até perder as forças. Os corpos colapsam. Exaustos. Suados. Ainda com respirações descompassadas. Ela dorme com a cabeça no peito dele. Marcelo não diz nada. Mas segura firme. Como se dissesse, sem palavras: “Você é minha agora.”

Na manhã seguinte, Laura acorda primeiro. As coxas ainda doem, os músculos ainda latejam. Mas há um sorriso no canto da boca. Um prazer que nenhuma mentira ou casamento falso jamais entregou. Marcelo ainda dorme. Ela se levanta, caminha nua até o banheiro. Lava o rosto, prende o cabelo num coque frouxo. E ao ver sua imagem no espelho, sabe: aquela mulher ali… não é mais a mesma. Pega a calcinha fio dental que ele deu na noite anterior, entre um sexo e outro. Aquela absurdamente fina. Um fio literal. Veste. Podemos dizer que só cobria a parte da frente porque naquela bunda, aquilo fio e nada eram a mesma coisa. Volta devagar até o quarto. Marcelo a observa, meio desperto, meio faminto.

— Vem cá – ele diz, rouco.

Laura obedece. Se deita de bruços na cama, a bunda empinada, o fio enfiado na carne, a pele ainda marcada de um tapa da madrugada. Marcelo se posiciona atrás. Ela em sintonia, se posiciona de quatro. Sua buceta já melada, ou ainda. Ela se contorce quando sente a saliva que cai da boca de Marcelo tocar sua bunda e deslizar para a sua buceta. Ele passa a pica grande, já firme e enfia com calma. Sem pressa. Fazendo ela sentir cada centímetro. Laura geme. A luz da manhã banha a cena. Laura empinada, nua, rendida. A calcinha fio dental cavada entre as nádegas. O pau dele cravado dentro dela. A pele ainda marcada.

E um leve sorriso no canto da boca dela

— Fica assim – ele diz, com a mão que faz sua bunda abrir levemente. A outra… pega o celular.

Click. Uma foto. A aposta selada. E um leve sorriso no canto da boca dela — porque ela sabe que venceu também. Silenciosamente. Suavemente. Como só uma mulher que aprendeu a gostar de obedecer pode vencer.

Marcelo observa a imagem na tela do celular. Laura, de bruços, completamente nua. A pele arrepiada. O fio dental presenteando a câmera com quase nada. A luz do dia delineando cada curva, cada sombra. O pau dele cravado dentro dela. A mão espalmada em sua bunda, ainda vermelha do tapa. E, o detalhe mais sórdido: o sorriso sutil no canto da boca dela. Como se dissesse:

"Não sou refém... Estou exatamente onde quero estar."

Marcelo digita calmamente. Seleciona o número de Mário. Sem pressa. Sem culpa. A imagem anexada. A legenda escrita com frieza cirúrgica:


"A dívida está paga. Mas eu não vou devolver seu prêmio."

Clique. Mensagem enviada.


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