"Os mais excitantes contos eróticos"


Ai, Luisinha, como és tão mazinha!-10


autor: Rosário
publicado em: 06/09/17
categoria: bdsm
leituras: 342
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(Continuação)
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Mas o certo é que estava na altura de tratarmos da Revista desse mês; em geral, fazíamos assim:
Eu aparecia na Redacção com os meus cadernos de apontamentos (onde já estava tudo preparado), sentava-me na secretária de Clarisse (na sua frente), e ditava-lhe os textos, que ela, a grande velocidade, ia dactilografando.
Ora, no dia da conversa que acabei de contar, atrevi-me a ensaiar uma pequena variante: sentar-me ao seu lado, bem pertinho... e não em frente.
Mas, ainda eu não tinha posto ali a cadeira, já Luisinha, do seu lugar (ao aperceber-se do que eu queria fazer), me fuzilava com um olhar que eu não pude evitar. Era um mudo mas eloquente "NEM TE ATREVAS!!", que me fez sorrir, contrafeito, e retroceder, docilmente, para o sítio habitual...
*
Iríamos tratar, então, do "Correio Sentimental", em que eu, assinando "Amiga Alice", respondia às leitoras que me escreviam a confidenciar as suas angústias existenciais e palpitações de coração.
Mas nesse dia havia uma dificuldade inesperada:
Se, em geral, já me era quase impossível responder a todas elas, agora ainda era pior, pois o tema das esposas-escravas (e o seu já anunciado inverso) desencadeara uma verdadeira histeria feminina e uma catadupa de cartas, em que o tema era virado e revirado até à exaustão.
Sendo assim, como é que a "Amiga Alice" havia de responder? Sim, a quais, e em que termos?
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Tive então a brilhante ideia de pôr de lado tudo o que tinha escrito, e começar o trabalho do zero, pedindo ajuda às duas mulheres; ora, quando eu esperava delas uma reacção negativa, o que sucedeu foi exactamente o contrário:
Acharam isso um óptima ideia; deixaram apenas ao meu critério a escolha das cartas que iriam ser contempladas com respostas, e propuseram-se tratar do resto!
Fiz então uma escolha salomónica, com igual número de cartas de leitoras excitadas com a ideia de serem (ou virem a ser) esposas-escravas, e das que eram (ou gostariam de ser) o oposto; e deixei de lado todas as outras, pois apenas diziam banalidades ou faziam as perguntas habituais.
Luisinha e Clarisse, então, usaram o nome e a página da "Amiga Alice" para incitarem as leitoras a actos e atitudes pouco usuais nessa época!
Sim, aquilo era MUITO MAIS do que feminismo, pois roçava os limites do que nessa altura se podia publicar numa revista desse género.
Não havia (nem poderia haver) nada de algemas nem chicotes — claro —, mas estava ali, implícita, a apologia do actual BDSM: na maior parte das vezes, sob a forma Femdom puro e duro; outras vezes, contemporizando (embora a contragosto...) com as fantasias das submissas!
No fim, tive de reconhecer que nunca a "Amiga Alice" tivera uma página tão interessante... e, extenuados, acabámos por deixar o horóscopo para o dia seguinte.
*
Como já contei, essa parte era a mais fácil de fazer, pois consistia numa repertório de lugares-comuns e conselhos-da-treta (que qualquer pessoa poderia dar), que eu tinha em fichas guardadas numa caixa de sapatos. E eu até ficava com problemas de consciência quando imaginava as minhas leitoras a ler aquilo atentamente, acreditando que Saturno as mandava comer saladas, ou que Júpiter (em conjunção com qualquer outro astro) sugeria que fizessem exercício físico! Mas garanto que esse meu "zodíaco especial" nunca deu conselhos prejudiciais!
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E, finalmente, chegou a tão temida “hora da verdade"!
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(Continua)




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